Quando fui dormir ontem às 00:30, já fazia meia hora que eu era mais velha. Queria entrar nos 3.8 sozinha.Do jeito que nasci...sozinha. Sentei na beirada da minha cama e comecei a pensar em algumas coisas nessa minha trajetória e me lembrei de uma música que diz:“Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demaisHoje me sinto mais forte,Mais feliz, quem sabeSó levo a certezaDe que muito pouco sei,Ou nada sei.Daí levantei-me e me coloquei de frente ao grande carrasco de qualquer mulher...em qualquer idade: o espelho.Examinei meu corpo todo começando pela área ao redor dos olhos.Vi que apareceram sem que eu percebessem algumas rugas de expressão, essas chamadas pés de galinha.Na região embaixo dos olhos uma leve bolsinha inchada indicando uma olheira.Na minha testa, entre as sombrancelhas uma marca profunda daquelas que aparecem quando fazemos expressão de contrariada.Verifiquei que meus seios já não firmes como antes denunciavam algum maltrato, desleixo.Apalpei minha bunda e ela já não tão dura me deixou meio deprimida.Olhei para minhas mãos e vi calos, poucos mas vi.Avaliei meus dentes, cabelos, olhei minha bunda de novo e seios e tornei a ficar deprimida.Resolvi vestir o pijama, apaguei a luz deitei e antes do sono vir de vez, um pensamento me fez sentir vergonha de toda aquela minha revolta por não ter a plástica perfeita como antes:As rugas ao lado dos olhos com certeza foram se formando por conta das inúmeras vezes que sorri na vida;A bolsinha inchada embaixo dos olhos denunciam o choro que por muitas vezes vêm a tona sem ninguém perceber, ou ver;As olheiras dizem o quanto são as preocupações,embora eu não demonstre tanto assim, elas refletem no meu rosto;As marcas profundas entre as sombrancelhas, falam as quantas vezes tive que franzir a testa pra mostrar uma autoridade de mãe que infelizmente nenhuma mãe possui sobre seu filho, porque somente fazemos cara feia, somos moles demais;Meus seios flácidos indicariam o ato de amamentar e ir além das dores desse ato;Minhas mãos com os calos que tem me dizem da pessoa que sou e que sempre esteve com elas á obra;Então, quando já fazia 1 hora que eu estava mais velha vi que na realidade a idade chegou mesmo, mas não me sinto diferente completamente e a não ser por essas coisas externas que denunciam nossa idade cronológica, sou a mesma....só que agora, com alguns DETALHES no corpo!FELIZ ANIVERSÁRIO PRA MIM!
Aninha Guimarães