terça-feira, 23 de julho de 2013

O futuro me amedronta.

Ás vezes eu tenho raiva da tecnologia no que diz respeito aos relacionamentos humanos.Antigamente, tudo era bem mais simples.As pessoas tinham uma coisa de falar olhando no olho, uma coisa de contato real. Nossos pais e principalmente nossas mães queriam “conhecer o rapaz ou a moça” e acho que nem é porque tinham qualquer vocação para recrutamento e seleção de futuros maridos e esposas e sim  porque era na conversa, no olhar  que eles tentariam, muitas vezes com êxito, descobrir qualquer desvio de caráter , aptidões, qualidades e etc do pretendente . Desconfio que aquele chá com bolos de tarde, era estratégico.Era sim.

Em tantos outros momentos da nossa existência, as conversas face to face já decidiram tantas outras coisas no mundo.Creio que as decisões equivocadas talvez tenham sido decorrentes de um e-mail mal escrito ou mal lido.

E as visitas? Fazíamos visitas para as pessoas. Os finais de semana eram dedicados aos familiares e amigos. Numa semana visitamos um, noutra semana visitamos outro e assim por diante. Os que moravam muito longe e gente telefonava do orelhão da esquina porque poucas pessoas tinham telefone em casa em meados de 1982, só os mais bem de vida mesmo. Os que moravam muito longe, a gente escrevia carta.Os vizinhos se respeitavam ao ponto de ter o poder de vigiar o que os filhos dos outros faziam enquanto seus pais trabalhavam e emitir um relatório completo na chegada do trabalho. Se você visse seus pais conversando com a Dona Fulana, ah sim, você estava perdido. Tenho impressão de que meus pais conheciam o quarteirão inteiro (risos).
Mas no geral, era tudo aprendizado. As pessoas se olhavam, se tocavam e tinham relacionamento verdadeiro.Apesar dessa evolução toda, estamos nos tornando cada vez mais vazios, solitários e carentes de saber lidar com o outro.
E sendo mais rápida a comunicação a gente pensa: Depois eu passo um e-mail e dou parabéns. Colo um cartão bonito e encaminho a todos os aniversariantes do dia CCO, assim todos recebem e acham que foi personalizado.Se não quero ou não posso responder aquele e-mail é só não confirmar a leitura. Se não quero atender, peço para a secretária dizer que não estou.Depois eu retorno ou ligo, digo que estou feliz por sua promoção, seu casamento, seu filho, que tenho interesse em você, que não quero você, que adoro sua amizade, que você faz falta,que estou com saudades que adorei o jantar....e por aí vai.

Saudades de um tempo em que a gente podia olhar no olho e por mais articulada que uma pessoa fosse, mesmo sob pretexto de um sexto sentido, algo nos dissesse que ela não era aquilo que dizia ser.

 - Ah, tenho de ir agora a uma reunião na sala 3D. O meu chefe está em Boston e três dos diretores foram a uma conferência em Berlim mas precisamos decidir algumas medidas de emergência.Creio que a videoconferência termina antes da transmissão via Internet do nascimento da filha do Carlinhos e da Vânia, meus amigos do colégio.

Bons tempos aqueles.

Aninha Guimarães

Nenhum comentário:

Postar um comentário